Esta carta aberta é dirigida à sociedade civil, governo central, governos locais, órgãos consultivos e organizações não governamentais, e subscrita por profissionais que defendem e promovem o Direito a Brincar, especialistas no desenvolvimento infantil, especialistas na saúde física e saúde mental infantil e investigadores.

Vivemos um tempo muito exigente para todos. São muitos os receios e muita a incerteza. Mas para as crianças há ainda o silêncio a que estão votadas em todas as decisões que têm sido tomadas sobre as suas vidas, aliás como demasiadas vezes acontece numa sociedade que tendencialmente considera que criança apenas tem direito ao futuro e não ao presente, como cidadã com preocupações, vontades e soluções.

Brincar é a forma principal que as crianças têm de se expressarem, de participarem, de fazer actividade física, de digerirem os acontecimentos da sua vida e do seu mundo interior, de aprenderem, de se adaptarem, de se protegerem contra as ameaças à sua saúde mental e física. O reconhecimento científico, médico e político de que brincar é fundamental para a saúde física e mental da criança está consagrado no Artigo 31º da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança e reforçado no Comentário Geral das Nações Unidas nº17 (2013).

Numa altura em que muito se fala de criar condições para que as crianças recuperem o tempo de aprendizagens curriculares perdido, pouco se fala de criar condições para que as crianças recuperem o tempo de brincar perdido. Muitas crianças viram-se subitamente longe dos amigos, longe da sua intimidade e dos seus segredos, longe do contacto com a natureza e com o espaço exterior, longe dos níveis necessários de actividade física, longe de um tempo para criar e imaginar o mundo de uma outra forma com os seus pares, longe de um tempo para se auto-regularem e se superarem.

É muito evidente que a crise pandémica não vai ser resolvida nos próximos meses, e que teremos que nos adaptar semana a semana. Deixar a brincadeira das crianças à espera poderá ser uma hipoteca para a sua saúde e bem-estar com um impacto irreversível a médio e a longo prazo. Como pode uma criança aprender os conteúdos curriculares se não estiver bem emocionalmente, se não tiver ultrapassado o stress e até o trauma associado a todas estas perdas, se não puder reatar os laços com os amigos, se não puder sentir a segurança e o controlo gerados nos processos de brincadeira? Como pode uma criança não sentir o seu futuro comprometido se não puder apaziguar as suas ansiedades e medos? Como pode uma criança perceber que mesmo na adversidade há esperança?

Esta carta aberta, elaborada para dar voz às crianças, pretende pedir aos adultos que se comprometam urgentemente com a criação de condições necessárias para que as crianças tenham espaço e tempo para brincar de forma espontânea e livre, sem objectivos educativos e sem ter que corresponder às expectativas dos adultos, para que possam recuperar destas perdas, conquistando a confiança de que mesmo numa situação como esta é possível alcançar a felicidade. Assim, propomos que:

  • As Autarquias e as Juntas de Freguesia se comprometam a aumentar as áreas para brincar nos seus territórios, promovendo cortes de estrada em zonas de bairro, abrindo os parques infantis e assegurando ainda mais a limpeza e manutenção dos jardins.
  • A Direcção Geral de Saúde, o Colégio de Especialidade de Pediatria da Ordem dos Médicos, a Sociedade Portuguesa de Pediatria, a Ordem dos Psicólogos, Conselho Nacional de Saúde Pública, Associação Portuguesa de Epidemiologia e organizações afins emitam um comunicado conjunto sobre brincar no exterior, no qual se avaliem os riscos de contágio por COVID-19 e os benefícios em termos de saúde física, mental e da promoção do bem-estar das crianças e suas comunidades.
  • O Ministério da Educação, os Coordenadores das Escolas, os professores e os assistentes operacionais se comprometam a reconhecer o tempo para brincar espontâneo e livre como um tempo terapêutico, fundamental para melhorar as aprendizagens curriculares e que promovam espaços de brincar no exterior com mais diversidade de brincadeiras recorrendo a materiais soltos de baixo custo tais como caixas de cartão, pneus, cordas, lençóis, etc.
  • Os médicos de família, pediatras, enfermeiros, psicólogos e outros profissionais de saúde prescrevam às crianças tempo de brincar na rua com os seus pares e com os seus familiares.
  • Os cuidadores e as comunidades se comprometam a defender e a promover tempo para brincar nas rotinas diárias das crianças, levando-as para a rua para brincar com outras crianças da família ou da vizinhança em grupos pequenos.

Aqui se reflecte a urgência de realizar uma discussão séria sobre os compromissos que os adultos devem assumir para que as crianças possam ter oportunidade para brincar no exterior, em segurança, no contexto pandémico. Brincar livremente no exterior é a forma principal das crianças fazerem actividade física, de estabelecerem relações sociais, de se auto-regularem em termos emocionais, de gerarem o seu próprio bem-estar, de descobrirem e darem sentido ao mundo que as rodeia. É responsabilidade de todos os adultos incentivar o brincar, sob pena de hipotecarmos a saúde e o bem-estar das crianças.

Atenciosamente,

Carlos Neto (Investigador e Professor Catedrático na Faculdade de Motricidade Humana, Universidade de Lisboa, Ramo Português da International Play Association)

Eduardo Sá (Psicólogo, Psicanalista, Pedopsiquiatra, Professor e Autor de vários livros)

Beatriz Imperatori (Directora Executiva da Unicef Portugal)

Sandra Nascimento (Presidente, Associação para a Promoção da Segurança Infantil)

Manuel Sarmento (Universidade do Minho)

Hugo Rodrigues (Pediatra, autor do site “Pediatria para Todos)

Ana Teresa Brito (Fundação Brazelton Gomes-Pedro para as Ciências do Bebé e da Família)

Elsa Rocha (Pediatra, Centro Hospitalar Universitário do Algarve, Presidente da Comissão Regional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente da ARS Algarve)

José Paulo Monteiro (Neurologista Pediátrico, Centro de Desenvolvimento da Criança Torrado da Silva, Serviço de Pediatria- Hospital Garcia de Orta)

Cátia Felgueiras (Interna de Psiquiatria da Infância e da Adolescência, Hospital Dona Estefânia)

Beatriz Oliveira Pereira (Investigadora do Centro de Investigação em Estudos da Criança (CIEC) e professora catedrática do Universidade do Minho, Instituto de Educação)

Paulo Oom (Pediatra)

Mário Alves (Presidente da Estrada Viva, Secretário Geral da International Federation of Pedestrians)

Gonçalo Cordeiro Ferreira (Pediatra)

Ana Rita Fonseca (Presidente, Associação 1,2,3 Macaquinho do Xinês)

Francisco Lontro (Presidente, Ludotempo – Associação de Promoção do Brincar)

Frederico Lopes (Investigador na Faculdade de Motricidade Humana, Universidade de Lisboa e Associação 1,2,3 Macaquinho do Xinês, Ramo Português da International Play Association)

Carla Marisa Candeias Colaço (Animadora Sociocultural e Investigadora, Acrescer)

Alexandra Paulino (Animadora Sociocultural, Associação 1,2,3 Macaquinho do Xinês)

Andreia Mesquita Santos Surgy (Psicóloga Clínica)

Adriana Maria Pinto Saraiva (Terapeuta Ocupacional, Centro de Saúde de Tavira)

David Catela (Professor Coordenador, Instituto Politécnico de Santarém; Membro International Play Association e Ramo Português; Investigador CIEQV e UIIPS)

Rui Matos (Politécnico de Leiria e Centro de Investigação em Qualidade de Vida)

Luis Paulo Rodrigo (Investigador e Professor na Escola Superior de Desporto e Lazer de Melgaço, IPVC)

José Carlos Mota (Docente Universidade de Aveiro)

Ana Teresa Ferronha (Fisioterapeuta da Unidade Cuidados Comunidade Boavista, do Agrupamento Centros Saúde Porto Ocidental, pertencente à Administração Regional Saúde Norte)

Guida Veiga (Professora Auxiliar da Universidade de Évora e Investigadora do Comprehensive Health Research Centre – CHRC)

Zaida Cristina da Conceição Leal Alves (Médica de família OM 38868 – Santiago do Cacém)

Ana Passos e Sousa (Psicóloga Clínica, Presidente da Direção da Associação Viver a Infância)

Ana Galvão (Educadora de Infância, Diretora Pedagógica da Escola Lá Fora)

Nádia Morais (Co-fundadora do projeto Vamos Brincar na Rua)

Rita Cordovil (Investigadora e Professora Auxiliar com Agregação na Faculdade de Motricidade Humana, Universidade de Lisboa)

Cláudia Cristiana da Cruz Gonçalves (Estudante de Doutoramento em Neurociências)

Dolores Viegas Gamito (Psicomotricista, Centro Dr. João dos Santos – Casa da Praia)

Marta Marchante (psicóloga no projeto Atitude Positiva de promoção competências socioemocionais, coordenadora do projeto de educação artística Ser a Brincar, Movimento Assim não é escola!)

Liliana Madureira (Técnica de Segurança Infantil, Mestre em Educação, Associação para a Promoção da Segurança Infantil)

Ana Soares (Supervisora dos departamentos de contabilidade e de travel management, Fundadora e investigadora particular no projeto Education from Around the Globe)

Cláudia Pacheco (Designer)

Isabel Saraiva de Melo (Pediatra, CUF Almada)

Tânia Cordeiro (Psicóloga Educacional, Associação de Solidariedade Social de Apoio à Família- ASSAF)

Elsa Mendanha (Educadora de infância, Jardim-de-Infância de Seide-Vila Nova de Famalicão)

Zulmira Oliveira (Educadora de infância, Jardim-de-Infância de Seide-Vila Nova de Famalicão)

Graça Bandola Cardoso (Subdiretora de Agrupamento de escolas de Oliveirinha- Aveiro, Investigadora na área do brincar)

Telma Cunha (Educadora de Infância, associada da Associação Anam Cara (Comunidade de Aprendizagem Viva e Consciente, associada da APEI e elemento dos corpos sociais da Associação de Pais da Escola Básica Integrada da Boa Água-Quinta do Conde)

Rosa Montez (Educadora de infância, Coordenadora do Departamento da Educação Pré- escolar, Agrupamento de escolas Alexandre Herculano- Santarém e Delegada da APEI)

Hélia Veríssimo (Advogada, Gestora)

Joana Vilar Pereira (Doutoranda em Comportamento Motor, da Faculdade de Motricidade Humana, Universidade de Lisboa)

Mariana Moreira (Doutoranda em Motricidade Humana, Especialidade Comportamento Motor, Faculdade de Motricidade Humana, Universidade de Lisboa)

Rita Alexandre (Professora de Educação Física, Colégio Pedro Arrupe-Lisboa)

Teresa Figueiredo (Educadora de Infância, Colégio Pedro Arrupe-Lisboa)

Maria Clara Martins (Docente da Escola Superior de Educação, Instituto Politécnico de Santarém e Formadora da formação inicial e contínua de educadores e professores dos primeiros anos)

Bárbara Chiquelho (Coach Infantil , Parental e Educacional, Sócia da Clínica Bússola da Saúde – Medicina e Reabilitação)

André Baptista Pombo (Professor na Escola Superior de Educação de Lisboa, Instituto Politécnico de Lisboa)

Vera Lucia Moraes Ferreira (Professora educação infantil e séries iniciais, Psicopedagoga clínica institucional e educação infantil, Gestão escolar)

Joana Gonçalves Ferreira Costa (Licenciada em Reabilitação Psicomotora com Pós-graduação em Desenvolvimento Infantil e pós-graduação em Intervenção Precoce)

Paulo Domingos (Psicólogo Clínico em consultório privado, Serviço de Psicologia do AE de Marinhais e Associações desportivas)

Margarida Cerveira (Psicóloga Clínica, Clínica Psianima -Aveiro)

Vanda Correia (Professora Adjunta, Escola Superior de Educação e Comunicação, Universidade do Algarve)

Andreia da Silva Nunes (Técnica de Gestão ao nível da Acção Social)

Rosabela Mateus (Avó)

Duarte Silva (Educador pela Arte, Coordenador Pedagógico, Ator e Contador de Histórias)

Maria Teresa Costa de Oliveira (Educadora de Infância da Rede Pública)

Mara Pedro (Psicóloga, Autarquia de Portimão)

Nádia Pauleta (Psicomotricista, Massagista)

Eliseu Manuel Nunes Raimundo (professor)

Thayse Polidoro João (Professora de educação infantil e ensino fundamental, especialistas em relações interpessoais e desenvolvimento da autonomia moral, PREFEITURA MUNICIPAL DE LOUVEIRA E VINHEDO)

Rodrigo Abril de Abreu (Coordenador do projeto Lab in a Box, Instituto Gulbenkian de Ciência)

Ana Rute Peral Novais (Técnica Superior de Educação Especial e Reabilitação / Psicomotricista, Colégio da Fonte, Clínica Navegantes (Grow well))

Ana Catarina Baptista (Professora Adjunta, Escola Superior de Saúde, Universidade do Algarve)

Manuela Pinto (Terapeuta ocupacional, ARS norte, Urap do Aces Porto Oriental)

Ana Crespo Brites (mãe e ex-educadora de infância)

Inês Barbosa (Investigadora, Instituto de Sociologia da Universidade do Porto)

Ana Quitério (Professora Auxiliar, Faculdade de Motricidade Humana, Departamento de Educação, Ciências Sociais e Humanidades, Direção da Sociedade Portuguesa de Educação Física)

Zulima Maciel (Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde, Viana do Castelo, Membra Efetiva da Ordem dos Psicólogos com CP 13151)

Maurília Cró (Psicomotricista na direção Regional de Educação na Madeira)

Diana Pegado (Empregada bancária)

Sandro Botelho de Almeida (Bancário)

Maria Carolina Guedes (Avó)

Veronika Bryzgalina (Psicológa, psicoterapeuta, CP 19156)

Eduarda Silva (Directora Pedagógica, Jardim dos Sonhos- Vila do Conde)

Fernanda Silva (Enfermeira, Sócia, Jardim dos Sonhos- Vila do Conde)

Alexandra Avelar (Professora de Educação Física, mãe)

Laura Rodrigues (Vice-Presidente e Vereadora da Educação e Atividade Física da Câmara Municipal de Torres Vedras)

Rodrigo Ramalho (Chefe da Divisão de Educação e Atividade Física da Câmara Municipal de Torres Vedras)

Cátia Roberta Mesquita dos Santos (Educadora de Infância, Jardim dos Sonhos)

Helena Henriques (Auxiliar de Educação e Auxiliar de Cuidados de Saúde)

Cristina Isabel Miquelino Pereira Amado (Professora do 2ºciclo var. Mat/CN)

Joana Campos (Psicóloga Clínica, CPCJ – Vila do Conde, CP365)

Joana Lince Capoulas, (Professora de Capoeira)

Fred Lamas Pinheiro (Médico dentista)

Marta Alves (Gestora de Crédito- Moita)

Lígia Santos (Animação Sociocultural)

Isa Pereira (Animação Sociocultural, SCML)

Helena Cristina Rodrigues (Psicopedagoga Percetiva, Consultora na área da inovação na educação)

Mariana Ramires Dias da Cunha (Mãe, Artista Plástica)

Belinda Teresa Pereira Sobral (Engenheira do Ambiente/Técnica de higiene e saúde no trabalho, instrutora de yoga para grávidas/doula)

Inês Barão Neves (Professora)

Ana Mestrinho (Artesã e designer, mãe – Sintra)

Lígia Vaquinhas (T. Arqueologia – Alcácer do Sal)

Filipa Fiorillo do Santos (Tradutora)

Alba Benítez Delgado (Terapeuta Ocupacional)

Nair da Costa Pereira (Desempregada)

Ana Rita Centeno (Mãe, Psicóloga Clínica)

Olívia Ramos (Educadora de Infância)

Ana Sofia Santos (Mãe, Desempregada)

Constança Coelho Varela (Psicomotricista, Centro de Desenvolvimento da Criança Professor Tornado da Silva, Centro Infantil de Terapias e Educação – Almada)

Inês Morais (Terapeuta, Centro UP)

Joana Jorge de Carvalho (Psicomotricista, Hospital Garcia da Orta)

Helena Cristina Oliveira Casmarrinha (Terapeuta Ocupacional, ACES Almada Seixal)

Vera Terreiro Ribeiro (Educadora de infância, Professora de expressões artísticas)

Flávia Oliveira (Fisioterapeuta, Centro de Saúde – Vila Real de Santo António)

Teresa Tiago (Terapeuta Ocupacional no Centro de Desenvolvimento da Criança do Hospital Garcia da Orta)

Inês Carvalho (Educadora Social, mãe)

Joana Guedes Magalhães (Médica, Centro Hospitalar Universitário do Algarve)

Célia Caciones (Analista de negócio)

Otília Rodrigues Pereira (Agente de Viagens, mãe)

Carla Juvandes (Pediatra)

Patrícia Spindler (Psicóloga – CRP 07/09094)

Sílvia Rigor (Cabeleireira /Mappe do Núcleo Póvoa de Varzim e Vila do Conde)

Filipa Cristina Costa Ferreira Nascimento (Mãe, técnica superior – área de laboratório)

Carla Martins (Mãe, Engenheira Civil)

Susana Vale (Investigadora e Professora Adjunta na Escola Superior de Educação do Porto, Politécnico de Porto)

Carla Correia Rocha (Professora Adjunta da Escola Superior de Educação de Lisboa, Coordenadora do Domínio Científico da Educação Física)

Catarina Margarida da Silva Vasques (Professora adjunta na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Bragança)

Amália Rebolo (professora de Educação Física no Agrupamento de Escolas da Boa Água)

Susana Morais (mãe, Arquitecta  Paisagista, Outras Paisagens Lda.)

Sara Sarroeira (Técnica Superior de Educação Especial e Reabilitação na EBI Praia da Vitória, Doutoranda em Estudos da Criança- UMinho, mãe)

Carolina Silva (avó e ex-professora de Educação Física)

Sónia Silva (Mãe e Guardiã do Brincar)

Ana Maria Oliveira (docente 1.º ciclo, AE Rainha Santa Isabel, Coimbra)

Tito Daniel dos Santos Silva (aluno de Mestrado em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário na Faculdade de Ciências do Desporto da Universidade de Coimbra)

Nuno Amaro (Professor do Politécnico de Leiria e Investigador do Centro de Investigação em Qualidade de Vida)

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Última actualização 17-11-2020